Futebol sempre fez parte de Chaves

*Escrito por Wesley Machado

*Postado por Rafael Luis Azevedo, Verminosos por Futebol

*Adaptado por Lázaro Bentivoglio, Versão Esportiva

O jornalista Wesley Machado resgata, em texto para o Verminosos por Futebol, todos os momentos em que o futebol foi tema de fundo para as histórias de Roberto Bolanõs, criador de Chaves, Chapolin e Chespirito.

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Uma multidão num estádio de futebol. Poderia ser um jogo, um momento de alegria. Mas não. Tratava-se do velório do autor, compositor e ator, criador dos personagens que alegraram e continuam alegrando diversas gerações de crianças e até mesmo adultos.

O velório de Roberto Gómez Bolaños (21/02/1929 – 28/11/2014), o “Chespirito”, que deu vida a Chaves, Chapolin, Dr. Chapatin, entre outros, levou milhares de pessoas ao Estádio Azteca, que na década de 70 foi palco não só da final da Copa do México entre Brasil e Itália, que terminou com o tricampeonato para a amarelinha.

No filme “El Chanfle”, de 1979 e que teve uma continuação, “El Chanfle II”, em 1982, Chespirito interpreta Chanfle, um roupeiro do América do México, time do coração do ator na vida real. Ramón Valdés, o “Seu Madruga”, faz o treinador Moncho Reyes e Carlos Villagrán, o “Quico”, o jogador Valentino. O filme começa com milhares de pessoas na entrada do Estádio Azteca, que por ironia do destino seria o palco do adeus a Chespirito.

Este filme mostra a paixão de Chespirito pelo futebol, mais especificamente pelo América do México. Em sua casa, onde mora com Teresa, interpretada por Florinda Meza, a “Dona Florinda”, sua esposa na vida real, a fixação de Chespirito por futebol está explícita nas paredes da casa, que contam com flâmulas de equipes mexicanas, como do próprio América, do Pumas, do Toluca e do Atlas, entre outras, como de seleções, como El Salvador e México, as mesmas que habitam a casa de Seu Madruga em Chaves.

O filme “El Chanfle” é citado na versão original do episódio “Vamos ao cinema” de Chaves, numa cena em que eles estão dentro do cinema e Chaves diz “Hubiera sido mejor haber ido a ver la Película ‘El Chanfle’”, que no Brasil foi traduzido e dublado para “Seria melhor termos ido ver o filme do Pelé”.

O futebol também é abordado em outros episódios de “El Chavo del Ocho”, como em “Jogando Futebol”, “Proibido jogar futebol no pátio” e “Assistindo ao jogo”, também conhecido como “O radinho do Quico”. Nestes episódios, Chaves, principalmente, cita vários jogadores, como Luís Pereira, Rivelino, Zico, Rodolfo Rodriguez, Barbiroto, Gilmar, Taffarel, Acácio, etc. No episódio “O Futebol é Minha Melhor Medicina”, Dr. Chapatin tenta a todo momento sair do consultório para assistir a uma partida de futebol.

Seria melhor termos ido ver o filme do Pelé”. Chaves, na versão brasileira do episódio “Vamos ao cinema”.

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Em “Proibido jogar futebol no pátio”, Seu Madruga diz torcer para o Corinthians para agradar Seu Barriga. Eles inventam até o bordão: “Corinthians, Corinthians, rá, rá, rá”! O ator Edgar Vivar, que interpretava o Seu Barriga, já afirmou torcer para o Corinthians. No México, seu clube de coração é o Pumas. E no seriado, o Seu Barriga é torcedor do Monterrey.

Ramón Valdés é torcedor do Necaxa, clube que chegou a ser extinto, foi comprado pela Televisa, que produzia os seriados do Chaves e do Chapolin, e chegou a usar o nome de Atlético Español, time que aparece jogando contra o América do México no filme “El Chanfle”.

Carlos Villagrán, o Quico, homenageou dois filhos com nomes de jogadores brasileiros, Édson (Pelé) e Paulo Cézar (Caju). No Brasil, ele se declarou torcedor do São Paulo.

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Rubén Aguirre, que fez o papel de Professor Girafales, postou numa rede social em 2012, quando o Palmeiras caiu para a Série B: “Ânimo, Palmeiras”. Ele ganhou de um brasileiro uma camisa da seleção.

Após a morte de Chespirito, um apelido que se refere a Shakespeare, várias foram as homenagens na América Latina afora. No Equador, gandulas trabalharam vestidos de Chaves. No Brasil, a torcida da Portuguesa cantou no Canindé: “Olê, Olê, Olê, Olê, Chaves, Chaves!”. Jogadores de uma seleção de base do México comemoraram dando chutes no ar a la Chaves. O mítico personagem já havia sido lembrado por um jogador que imitou o famoso piripaque também numa comemoração de gol. Um goleiro já usava camisas do Chapolin.

Enfim, o seriado que completou 40 anos no Brasil em 2014 continuará fazendo sucesso. Chespirito se juntará na eternidade à Ramón Valdés, o Seu Madruga, que já não está mais entre nós desde 1988 e Raúl “Chato” Padilla, falecido em 1994 e que interpretava o carteiro Jaiminho.

E, agora, quando se falar do América do México, não lembraremos só do gordinho Cabañas, que ajudou a eliminar Flamengo e Santos na Libertadores de 2008 e marcou um gol pela seleção do Paraguai contra o Brasil nas Eliminatórias da Copa de 2010. Quando vermos aquela camisa amarela, lembraremos de Chanfle, o alter ego de um Chespirito apaixonado por futebol.

A DIREÇÃO: Infelizmente hoje fazem quatro anos que perdemos o grande Chespirito, mas quando menos esperamos temos sua obra ativa no SBT ou algum outro canal que tenha comprado os direitos da Televisa. Quem quiser ainda pode achar episódios dessa lendária série na internet.

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Ele jogou lá…

“Série mostrando atletas conhecidos em alguns clubes, mas muitas vezes com passagens rápidas ou sem destaque por algum time diferente ou jogando lado a lado com craques de nível mundial.”

 

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RIVALDO foi melhor jogador do mundo em 1999 com a camisa do Barcelona, até hoje ainda é ídolo por lá, mas nessa imagem ele defendia a camisa grega do Olympiacos e marcava um golaço frente a um Liverpool que mais adiante seria campeão da Champions League em final épica diante do Milan.

O gol foi bonito, desde toda a jogada até a conclusão, mas não serviu de nada pois o time da casa virou a partida. Confira o gol no vídeo a seguir: